Ridículo que me esteja a sentir assim num centro comercial. Ridículo que não tire este sorriso parvo e o brilhozinho nos olhos e esteja aqui parada no meio do corredor, mas é que há quase dois anos que não via o "meu" Natal. São as àrvores de Natal verdes e as luzes amarelas e o nariz que só agora começa a aquecer, porque veio do frio da rua, que me lembram o calor humano do Natal...irónico que seja neste templo consumista.
Há quase um ano corria para apanhar barcos no Amazonas. Balançava-me dias a fim na rede, sem mais que fazer que olhar o rio, conversar e esperar com muita força conseguir chegar aqui até dia 24:
Chegámos a meio da tarde. 1 hora de autocarro desde Santarém para passarmos de navegar no Amazonas para descansar nas margens do Tapajós. Já levávamos 12 dias de barcos. Precisava de um banho a sério, um quarto só para mim, com uma cama, terra firme e comida que não fosse arroz com feijão. E era Natal!
Mas quase que tinha de me relembrar constantemente disso. Estavam 30 graus e a praia cheia de gente. "Mas estas pessoas não têm de ir preparar a consoada?". Nós, depois de nos instalarmos na nossa "casa na árvore" e darmos um mergulho fomos à procura de um peixinho para noite.
Trouxemos qualquer coisa que tinha bom aspecto e não era caro e que até hoje não consigo pronunciar, no meio de tantos outros com nomes igualmente estranhos. Preparámo-lo com muito carinho e na travessa que conseguimos desencantar na cozinha exterior do Hostel (hosteis na selva = quase ausencia de paredes) e sentámo-nos com as cervejas geladinhas a tentar recuperar um bocadinho do espirito de Natal. Uma hora mais tarde, um mini incendio no forno (nunca mais colocar peixe e azeite numa travessa quase rasa num forno a gás!) e o peixe comido e juntamos-nos aos outros hóspedes no único restaurante aberto da vila. São 23.30 e já se começa a juntar gente à volta. Forró aos gritos de todo o lado. Há festa na rua e nos bares à volta. Lembro-me de Lisboa à noite no dia 24 e desisto de tentar sentir o Natal... foi uma boa noite, mas Natal não é isto.
E agora estou aqui especada à porta do centro comercial a olhar para as bolas e as árvores e as luzes, a deixar o brilho entrar por mim adentro e aquecer-me, e a querer fatias douradas e sonhos, e a ir de propósito a casa porque a árvore é para montarmos eu e a minha irmã, e a minha mãe a sorrir enquanto me diz todos os anos menos o último "só tu para me pores a fazer isto!", e a minha avó a trazer o cabrito para a mesa e a dizer-me que já tem o Eno ali de lado, e eu a engolir mais 2 alperces secos, e o meu avô a dizer disparates que nos fazem rir a todos... até que me dão um encontrão e tenho de sair do caminho, só que nem me importo porque o Natal está a chegar.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Célia e as palavras
Pediram-me que começasse um texto com a frase: Escrevi a palavra caleidoscópio e...
Quase sem pensar, foi isto que saiu:
Escrevi a palavra caleidoscópio e lembrei-me dada praça onde os vendiam. Aquela em Córdoba no Paseo de las Artes; lembras-te? Ficaste doida com as cores e os barulhos das pedrinhas, os teus caracóis indomáveis a saltitar.
Fomos lá no nosso primeiro fim-de-semana, ainda sem conhecer nada da cidade...sem conhecer quase nada uma da outra. Espreitámos os caleidoscópios, resistindo a levá-los, os couros, os mates que ainda não conhecíamos ( a Carole sim, lembras-te como andava com o livrinho das instrucções para todo o lado?), os brincos, que não resistimos a levar.
E no fim, contentes porque o mercado estava aberto até à noite e ficava lindo com os candeeiros amarelos, já conhecíamos um bocadinho mais a cidade, e um bocadinho mais de nós.
domingo, 17 de julho de 2011
É mais fácil dizer que não
Isto de saber quem somos e o que queremos fazer devia melhorar com a idade. Era o que pensava quando era criança, e depois adolescente, enquanto entrava em pânico com as escolhas para a entrada para a faculdade e depois quando comecei a trabalhar. Mas não. Talvez o problema seja só meu, mas vejo tanta gente há minha volta que diz que gosta do que faz e tal, mas depois a única coisa que fazem é queixar-se que o dia não acaba, que duvido.
Eu ainda não estou completamente segura do que quero fazer daqui para a frente e se calhar não tenho que estar. Provavelmente nem sequer vou fazer só uma coisa daqui para a frente, mas tenho que me ir sentindo bem com o que quer que seja que escolha no momento. Por enquanto, ainda não sei bem o que isso vai ser, mas sei bem o que não quero, e isso já é um começo:
1) Não me quero resignar.
Este é, provavelmente o resumo de todos os outros pontos. Não me quero contentar com o que quer que tenha/faça por medo de não conseguir melhor, por falta de coragem para remar contra a maré ou por me manter num estado perpétuo de indecisão.
2) Não quero optar por um sofá ou um carro ou um bibelot que seja, a uma viagem.
Não quero nunca optar pelo material em detrimento do emocional. E uma viagem pode ser um fim-de-semana em amigos, um piquenique, uma descoberta.
3) Não quero discutir a vida dos outros, a não ser que seja directamente com esses outros, que sejam importantes para mim.
4) Não quero cair em rotinas, e não quero desculpar-me se isso acontecer.
5) Não quero deixar de aprender a ser uma pessoa melhor.
6) Não quero parar de alargar os meus horizontes intelectuais.
7) Não quero desaprender de saber estar sozinha e em paz.
8) Não quero deixar de conhecer pessoas novas, mas também não quero que isso condicione o meu relacionamento com as "pessoas antigas".
9) Não quero voltar a viajar "empacotada", sem entrar realmente em contacto com a cultura local
10) Não quero arranjar desculpas para o que não faço e queria fazer.
Não vou fingir que é facil manter estas "regras", e de certeza que, num momento ou outro vou quebrar algumas delas...é tão mais fácil! Mas sei que se me mantiver fiel a elas,e consequentemente a mim mesma, lá chegarei onde quer que tenha de estar. Por enquanto, sigo no caminho da descoberta.
Eu ainda não estou completamente segura do que quero fazer daqui para a frente e se calhar não tenho que estar. Provavelmente nem sequer vou fazer só uma coisa daqui para a frente, mas tenho que me ir sentindo bem com o que quer que seja que escolha no momento. Por enquanto, ainda não sei bem o que isso vai ser, mas sei bem o que não quero, e isso já é um começo:
1) Não me quero resignar.
Este é, provavelmente o resumo de todos os outros pontos. Não me quero contentar com o que quer que tenha/faça por medo de não conseguir melhor, por falta de coragem para remar contra a maré ou por me manter num estado perpétuo de indecisão.
2) Não quero optar por um sofá ou um carro ou um bibelot que seja, a uma viagem.
Não quero nunca optar pelo material em detrimento do emocional. E uma viagem pode ser um fim-de-semana em amigos, um piquenique, uma descoberta.
3) Não quero discutir a vida dos outros, a não ser que seja directamente com esses outros, que sejam importantes para mim.
4) Não quero cair em rotinas, e não quero desculpar-me se isso acontecer.
5) Não quero deixar de aprender a ser uma pessoa melhor.
6) Não quero parar de alargar os meus horizontes intelectuais.
7) Não quero desaprender de saber estar sozinha e em paz.
8) Não quero deixar de conhecer pessoas novas, mas também não quero que isso condicione o meu relacionamento com as "pessoas antigas".
9) Não quero voltar a viajar "empacotada", sem entrar realmente em contacto com a cultura local
10) Não quero arranjar desculpas para o que não faço e queria fazer.
Não vou fingir que é facil manter estas "regras", e de certeza que, num momento ou outro vou quebrar algumas delas...é tão mais fácil! Mas sei que se me mantiver fiel a elas,e consequentemente a mim mesma, lá chegarei onde quer que tenha de estar. Por enquanto, sigo no caminho da descoberta.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Começa a carreira...esperemos
Para quem ainda não sabe: publiquei o meu primeiro artigo oficial!
http://matadornetwork.com/trips/seeing-lisbon-through-tram-28/
Já valia a pena tê-lo escrito pelo gozo que me deu andar de repórter pela minha própia cidade, e pela maneira como contribuiu para a conhecer melhor. Assim, é duplamente (ou será triplamente?) especial.
Espero que a este se sigam outros...é sinal que não me deixei desanimar!
http://matadornetwork.com/trips/seeing-lisbon-through-tram-28/
Já valia a pena tê-lo escrito pelo gozo que me deu andar de repórter pela minha própia cidade, e pela maneira como contribuiu para a conhecer melhor. Assim, é duplamente (ou será triplamente?) especial.
Espero que a este se sigam outros...é sinal que não me deixei desanimar!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O meu bairro
Mudámo-nos no dia 1 de Abril. Queríamos tanto cá ficar que viémos sem nada...só a roupa para o dia seguinte, os lençóis e toalhas e as escovas de dentes. Eu já tinha jantado, mas o Nuno trazia uma travessa de comida. Só quando se sentou para a comer nos apercebemos que não tínhamos talheres. Valeu a mercearia em frente à porta. Fomos a pensar em comprar talheres de plástico e voltámos com um "Então bem vindos ao bairro!" e um garfo a sério emprestado. "Amanhã depois vem cá entregar".
A vizinha de cima é ligeiramente louca...grita pela janela para as pessoas da rua, que conhece todas, passeia com a cadela enquanto vai dar comida aos gatos, sempre de leggings com florzinhas e galochas e fala para o Charlie através da porta sempre que ele vai para lá cheirar quando ela passa.

Os turistas que ficam na "Lavra guest house" e muitos outros passeiam-se por aqui. Entre o elevador do Lavra, o Jardim do Torel e esta rua (a minha) veêm-se sorridentes, ainda que ofegantes (como eu sempre que chego a casa).
Não conhecia esta zona, confesso, mas entre o Sr. da mercearia que nos empresta o chapéu de chuva, a proximidade da Baixa e do Bairro Alto, o linda que é a casa (apesar das escadas do prédio prestes a cair) e o privilégio de ir passear o Charlie com esta vista, estou rendida!
A vizinha de cima é ligeiramente louca...grita pela janela para as pessoas da rua, que conhece todas, passeia com a cadela enquanto vai dar comida aos gatos, sempre de leggings com florzinhas e galochas e fala para o Charlie através da porta sempre que ele vai para lá cheirar quando ela passa.
Os turistas que ficam na "Lavra guest house" e muitos outros passeiam-se por aqui. Entre o elevador do Lavra, o Jardim do Torel e esta rua (a minha) veêm-se sorridentes, ainda que ofegantes (como eu sempre que chego a casa).
Não conhecia esta zona, confesso, mas entre o Sr. da mercearia que nos empresta o chapéu de chuva, a proximidade da Baixa e do Bairro Alto, o linda que é a casa (apesar das escadas do prédio prestes a cair) e o privilégio de ir passear o Charlie com esta vista, estou rendida!
sábado, 9 de abril de 2011
Lisboa e o Turismo
Uma das minha resoluções pós-viagem foi dedicar-me a sério a outras coisas que não a Medicina Dentária. Com isso em mente tenho passado algum tempo a fazer um curso de escrita de viagem on-line no qual já me tinha inscrito há algum tempo.
Numa pesquisa de possíveis mercados, para o trabalho do capítulo corrente, deparei-me com este post, que referenciava para este artigo.
Pareceu-me interessante a reflexão sobre a passada influência Portuguesa no mundo e como isso ainda se nota, no primeiro. No segundo gostei particularmente do paralelo entre a "Lisboa antiga" e a " Lisboa contemporânea" e a maneira como as duas se integram harmoniosamente, num sinal de mudança da aparente imutabilidade observada num passado não tão longínquo.Lisboa pode ter demorado a "acordar" e a valorizar-se, mas quando o fez seguiu o caminho certo.
Dei-me conta disso pouco tempo antes de ter partido para a Argentina, e durante este ano tive saudades desta Lisboa que ainda não conhecia totalmente, mas que já sentia como minha. Agora, ao (re)descobri-la por mim e ao perceber como é louvada por quantos cá passam é com um misto de orgulho e apreensão que começo a escrever para a descrever para os outros.
É que,se a quero mostrar, também quero que se mantenha fiel a si mesma, e esse é um equilíbrio difícil de conseguir quando se fala em turismo.
Tenho esperança que a teimosia que a tem caracterizado mantenha os braços da balança nivelados.
Numa pesquisa de possíveis mercados, para o trabalho do capítulo corrente, deparei-me com este post, que referenciava para este artigo.
Pareceu-me interessante a reflexão sobre a passada influência Portuguesa no mundo e como isso ainda se nota, no primeiro. No segundo gostei particularmente do paralelo entre a "Lisboa antiga" e a " Lisboa contemporânea" e a maneira como as duas se integram harmoniosamente, num sinal de mudança da aparente imutabilidade observada num passado não tão longínquo.Lisboa pode ter demorado a "acordar" e a valorizar-se, mas quando o fez seguiu o caminho certo.
Dei-me conta disso pouco tempo antes de ter partido para a Argentina, e durante este ano tive saudades desta Lisboa que ainda não conhecia totalmente, mas que já sentia como minha. Agora, ao (re)descobri-la por mim e ao perceber como é louvada por quantos cá passam é com um misto de orgulho e apreensão que começo a escrever para a descrever para os outros.
É que,se a quero mostrar, também quero que se mantenha fiel a si mesma, e esse é um equilíbrio difícil de conseguir quando se fala em turismo.
Tenho esperança que a teimosia que a tem caracterizado mantenha os braços da balança nivelados.
quarta-feira, 16 de março de 2011
A Filipa saiu à rua...e juntou-se a outros 200 mil
No rescaldo da manifestação "Geração à rasca"
Ainda pensei não ir. Nunca fui dada a manifestações, não lhes consigo perceber resultados concretos. Mas esta, pela proximidade que sinto do seu manifesto, pelo que o que a situação há qual este se refere diz de Portugal como sociedade e talvez também porque, depois da minha volta sinto que devo ter um papel mais activo nesta mesma sociedade, andava a martelar na minha cabeça. E no dia conjugaram-se as situações e as vontades e lá acabei a descer a Avenida da Liberdade.
Continuo sem perceber qual o verdadeiro resultado prático que pode advir, mas sinto-me orgulhosa de ter feito parte daquele grupo de milhares de pessoas que mostrou que o problema não é só de uma geração e que estas querem, juntas, fazer parte da solução.
Gostei de ver que nos podemos juntar em torno de uma ideia e deixar de lado qualquer tipo de classificação profissional ou social.
E gostei que o fizéssemos com alegria. Com música, com dança e sim, com alguma palhaçada. Porque não temos de nos levar demasiado a sério e isso não significa que não possamos discutir assuntos sérios. Tenho um amigo que foi fazer de repórter a fingir, com uma televisão de cartão a transmitir o "canal alegria". Quem o visse por lá se calhar pensava que ele não sabia muito bem o que se andava a fazer. E no entanto tem uma lista articulada de soluções possíveis para alteração de um modelo económico que considera insustentável e esgotado; e, na vida "normal" coordena vários projectos de investigação ao mesmo tempo.
Parece-me sintomático que A revolução tenha começado ao som da música, que tenha sido "dos cravos" e que agora tenhamos esta manifestação imbuída deste espírito. Parece-me que, como povo, esta é a maneira como sabemos e queremos fazer as coisas.
Espero sinceramente que isso seja assim e que este tenha sido apenas o primeiro passo para, de facto, se conseguirem mudanças não só nos estatutos dos trabalhadores e nas oportunidades e qualidade de emprego, mas na forma como nos posicionamos face aos outros.
Para que os gritos de "Luta, luta, camarada luta" e "a luta é alegria" cheguem mais longe que apenas o festival da canção e eu consiga acreditar de vez que vale a pena sair à rua e lutar.
Ainda pensei não ir. Nunca fui dada a manifestações, não lhes consigo perceber resultados concretos. Mas esta, pela proximidade que sinto do seu manifesto, pelo que o que a situação há qual este se refere diz de Portugal como sociedade e talvez também porque, depois da minha volta sinto que devo ter um papel mais activo nesta mesma sociedade, andava a martelar na minha cabeça. E no dia conjugaram-se as situações e as vontades e lá acabei a descer a Avenida da Liberdade.
Continuo sem perceber qual o verdadeiro resultado prático que pode advir, mas sinto-me orgulhosa de ter feito parte daquele grupo de milhares de pessoas que mostrou que o problema não é só de uma geração e que estas querem, juntas, fazer parte da solução.
Gostei de ver que nos podemos juntar em torno de uma ideia e deixar de lado qualquer tipo de classificação profissional ou social.
E gostei que o fizéssemos com alegria. Com música, com dança e sim, com alguma palhaçada. Porque não temos de nos levar demasiado a sério e isso não significa que não possamos discutir assuntos sérios. Tenho um amigo que foi fazer de repórter a fingir, com uma televisão de cartão a transmitir o "canal alegria". Quem o visse por lá se calhar pensava que ele não sabia muito bem o que se andava a fazer. E no entanto tem uma lista articulada de soluções possíveis para alteração de um modelo económico que considera insustentável e esgotado; e, na vida "normal" coordena vários projectos de investigação ao mesmo tempo.
Parece-me sintomático que A revolução tenha começado ao som da música, que tenha sido "dos cravos" e que agora tenhamos esta manifestação imbuída deste espírito. Parece-me que, como povo, esta é a maneira como sabemos e queremos fazer as coisas.
Espero sinceramente que isso seja assim e que este tenha sido apenas o primeiro passo para, de facto, se conseguirem mudanças não só nos estatutos dos trabalhadores e nas oportunidades e qualidade de emprego, mas na forma como nos posicionamos face aos outros.
Para que os gritos de "Luta, luta, camarada luta" e "a luta é alegria" cheguem mais longe que apenas o festival da canção e eu consiga acreditar de vez que vale a pena sair à rua e lutar.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Há volta da volta
Já fez um mês. Ou ainda só fez um mês...o tempo parece-me cada vez mais relativo.
E neste mês já tive a dose habitual de noites mal dormidas que as mudanças/decisões têm provocado ao longo deste(s) ano(s). Agora voltei, mas voltei ao quê? Não pode ser ao mesmo, senão para que é que fui? Mas será que o ir tinha de ter um objectivo que implicasse mudanças no regressar? Não podia ter valido por si mesmo?
Quando fui, ou melhor quando fiquei por lá, achava que sim. De uma maneira radical. Agora vou decidir o que quero fazer depois. É um problema recorrente (é aliás o que me assalta agora e causa as insónias). Ainda não dei este passo e já estou a pensar em todos os outros a que ele me pode levar e as escolhas que posso ter de fazer e como ainda não dei este não sei quais vou querer dar depois e portanto não sei se quero dar este e assim por diante... felizmente é um ciclo que se quebra ao fim de alguns dias e apesar do pânico inicial nunca me impediu de dar realmente o tal passo (estão perdidos?...pois, aí está!)
Mas já percebi que nem a experiência valeu por si só, nem é assim tão grave voltar ao mesmo. No fundo é uma mistura dos dois. A experiência não valeu sozinha porque me mostrou que, ao contrário do que pensava, não me importo de voltar ao que fazia, mas em condições diferentes. E vivi algo em que já tinha pensado muitas vezes mas nunca tinha tido a coragem de fazer.
A minha vida nunca mais vai ser a mesma, e isso é bom. Tenho outras prioridades e, mais do que isso, outra motivação para lutar por elas. O meu único medo é, no meio da "normalidade" poder esquecer-me disso.
E por isso às vezes não durmo...
E neste mês já tive a dose habitual de noites mal dormidas que as mudanças/decisões têm provocado ao longo deste(s) ano(s). Agora voltei, mas voltei ao quê? Não pode ser ao mesmo, senão para que é que fui? Mas será que o ir tinha de ter um objectivo que implicasse mudanças no regressar? Não podia ter valido por si mesmo?
Quando fui, ou melhor quando fiquei por lá, achava que sim. De uma maneira radical. Agora vou decidir o que quero fazer depois. É um problema recorrente (é aliás o que me assalta agora e causa as insónias). Ainda não dei este passo e já estou a pensar em todos os outros a que ele me pode levar e as escolhas que posso ter de fazer e como ainda não dei este não sei quais vou querer dar depois e portanto não sei se quero dar este e assim por diante... felizmente é um ciclo que se quebra ao fim de alguns dias e apesar do pânico inicial nunca me impediu de dar realmente o tal passo (estão perdidos?...pois, aí está!)
Mas já percebi que nem a experiência valeu por si só, nem é assim tão grave voltar ao mesmo. No fundo é uma mistura dos dois. A experiência não valeu sozinha porque me mostrou que, ao contrário do que pensava, não me importo de voltar ao que fazia, mas em condições diferentes. E vivi algo em que já tinha pensado muitas vezes mas nunca tinha tido a coragem de fazer.
A minha vida nunca mais vai ser a mesma, e isso é bom. Tenho outras prioridades e, mais do que isso, outra motivação para lutar por elas. O meu único medo é, no meio da "normalidade" poder esquecer-me disso.
E por isso às vezes não durmo...
sábado, 22 de janeiro de 2011
Agora que isto se acaba
Ontem saí de Córdoba.
Sei que um dia vou voltar, ainda que só para visitar.
A falta de tempo fez-me correr para conseguir arrumar tudo e despedir-me o que ajudou a que não sentisse tanto essas despedidas. Ainda assim não pude evitar o nó na barriga ao apanhar o último Intercórdoba (que já odiava). Esta cidade tratou-me bem...
Agora estamos em Buenos Aires, nos últimos 4 dias desta viagem. Há 2 semanas pensava que já tinha vontade de voltar, mas agora que se aproxima apetecia-me continuar.
Há um ano e 2 semanas saí de Portugal para o que pensava irem ser 3 meses...Entretanto vivi noutro país, trabalhei noutra área e percorri 4 países de mochila às costas. Fiz amigos que agora deixo do outro lado do Oceano, mas que, felizmente como eu, continuam em movimento. Mais cedo ou mais tarde encontramo-nos de novo.
Por aqui ou Por aí...
Sei que um dia vou voltar, ainda que só para visitar.
A falta de tempo fez-me correr para conseguir arrumar tudo e despedir-me o que ajudou a que não sentisse tanto essas despedidas. Ainda assim não pude evitar o nó na barriga ao apanhar o último Intercórdoba (que já odiava). Esta cidade tratou-me bem...
Agora estamos em Buenos Aires, nos últimos 4 dias desta viagem. Há 2 semanas pensava que já tinha vontade de voltar, mas agora que se aproxima apetecia-me continuar.
Há um ano e 2 semanas saí de Portugal para o que pensava irem ser 3 meses...Entretanto vivi noutro país, trabalhei noutra área e percorri 4 países de mochila às costas. Fiz amigos que agora deixo do outro lado do Oceano, mas que, felizmente como eu, continuam em movimento. Mais cedo ou mais tarde encontramo-nos de novo.
Por aqui ou Por aí...
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Escolhas
Apesar do meu pai sempre dizer que a minha mae me estragava (e estraga), se ha coisa que ambos me ensinaram foi a viver com o que tenho. Assim, e apesar de ter engolido em seco tres vezes, depois da decisao tomada foi olhar em frente e fazer novos planos.
Em Cuzco, depois de perceber que chegar a Machu Pichu nos ia sair a 300 dolares entre os dois tivemos que optar por deixar passar. Sim, provavelmente nao vamos voltar aqui, sim é Machu Pichu, mas 300 dolares dao-nos para varios dias, nao para os dois que ia ser.
Portanto, saímos para Huacachina, descemos dunas gigantes de cabeca e agora estamos em Lima. Amanha partimos cedinho para uma viagem de 36 horas(!) até Yurimaguas onde comeca a aventura Amazónica. Descer o Amazonas até Belem, na Costa oposta, no Brasil. E rezar para conseguir chegar a Salvador antes da pasagem de ano.
Depois de ler algus blogs sobre viagens semelhantes a curiosidade misturou-se com o medo. Nao de ameaca de vida, descuidem os mais preocupados...logo contarei mais!
Quanto a Lima, é uma cidade...estranha, a falta de melhor adjectivo. Hoje demorámos 1h a chegar ao centro desde Miraflores, o bairro rico (e tao mais tranquilo) onde estamos, depois de apanhar 2 autocarros e nao saber afinal onde andávamos. As buzinas sao constantes e os edificios coloniais misturam-se com predios a cair, os mercados onde se vende tudo o que se possa imaginar e o inimaginável e tenho a sensacao de que me estao quase sempre a tentar enganar ( o que é quase sempre verdade!).
Ia preparada para isto na Bolivia e nao aconteceu e agora no Peru tem sido uma constante. Com uma excepcao honrosa para Arequipa.
E os autocarros...sao toda uma outra história! Mas isso fica para a próxima.
Em Cuzco, depois de perceber que chegar a Machu Pichu nos ia sair a 300 dolares entre os dois tivemos que optar por deixar passar. Sim, provavelmente nao vamos voltar aqui, sim é Machu Pichu, mas 300 dolares dao-nos para varios dias, nao para os dois que ia ser.
Portanto, saímos para Huacachina, descemos dunas gigantes de cabeca e agora estamos em Lima. Amanha partimos cedinho para uma viagem de 36 horas(!) até Yurimaguas onde comeca a aventura Amazónica. Descer o Amazonas até Belem, na Costa oposta, no Brasil. E rezar para conseguir chegar a Salvador antes da pasagem de ano.
Depois de ler algus blogs sobre viagens semelhantes a curiosidade misturou-se com o medo. Nao de ameaca de vida, descuidem os mais preocupados...logo contarei mais!
Quanto a Lima, é uma cidade...estranha, a falta de melhor adjectivo. Hoje demorámos 1h a chegar ao centro desde Miraflores, o bairro rico (e tao mais tranquilo) onde estamos, depois de apanhar 2 autocarros e nao saber afinal onde andávamos. As buzinas sao constantes e os edificios coloniais misturam-se com predios a cair, os mercados onde se vende tudo o que se possa imaginar e o inimaginável e tenho a sensacao de que me estao quase sempre a tentar enganar ( o que é quase sempre verdade!).
Ia preparada para isto na Bolivia e nao aconteceu e agora no Peru tem sido uma constante. Com uma excepcao honrosa para Arequipa.
E os autocarros...sao toda uma outra história! Mas isso fica para a próxima.
sábado, 27 de novembro de 2010
Potosi 17-18 Novembro
Com a sorte de apanhar uma boleia (paga) de um dos jeeps que seguia para Potosi chegamos à cidade mais alta do mundo às 6 da tarde. Ainda cheios de pó trepamos ruas até chegar ao Hostel que queríamos.Os 4060m de altitude fazem-se sentir a cada 3 passos e toda esta cidade se distribui a subir a montanha.
Quando saímos para jantar já é escuro e estamos cansados, nao queremos ndar muito, mas surpreende-nos a vida que encontrqmos na rua.
No dia seguinte percebemos as cores, o movimento, a quantidade de escolas, de ecritórios de advogados e dentistas. Passeamos no meio dos edificios coloniais, das muitas igrejas e decidimos que gostamos da cidade.
A praça principal fervilha de gente. Mineiros, bandas, militares, locais.Descobrimos mais tarde que eram as celebraçoes do dia do Hino Nacional.
A tarde é passad debaixo de terra. Uma visita a uma das minas do Cerro Rico é uma experiência única, mas que nao quero repetir. 15 minutos lá dentro, enquanto começamos a descer ao segundo nivel achei que nao ia conseguir avançar mais. No meio do cinzento da falta de luz e do pó, enquanto o cminho se estreit para um túnel onde mal cabemos e pelo qual temos de rastejar o coraçao acelera e arespiraçao pede oxigénio que nao existe. Penso que se tenho de voltar para trás tenho de passar pelo mesmo e nao sei se aguento.
Páro 2 segundos, chupo mais forte nas folhas de coca que se acumulam na minha bochecha e, efeito psicológico ou nao, acalmo-me e sigo caminho.
Para lém da claustrofobia o que guardo mais na memória sao os mineiros com quem falámos, dos 15 aos 38 anos, a trabalhar em condiçoes sub-humanas que apenas diferem daquelas a que eram obrigados os escravos eos indios porque saem à noite para dormir em casa e recebem alguma coisa por esse trabalho.
morreram 80000 pessoas na época colonial e continuam a morrer hoje em dia, directa ou indirectamente dentro daquelas minas.
Saio estoirada física e psicologicamente. Tomo golfadas de ar e tento perceber porque se sujeitam àquilo e, principalmente, porque sujeitam os próprios filhos. Consigo perceber, mas nao aceitar.
Passamos a manha seguinte nas casa da moeda seguimos caminho.
Quando saímos para jantar já é escuro e estamos cansados, nao queremos ndar muito, mas surpreende-nos a vida que encontrqmos na rua.
No dia seguinte percebemos as cores, o movimento, a quantidade de escolas, de ecritórios de advogados e dentistas. Passeamos no meio dos edificios coloniais, das muitas igrejas e decidimos que gostamos da cidade.
A praça principal fervilha de gente. Mineiros, bandas, militares, locais.Descobrimos mais tarde que eram as celebraçoes do dia do Hino Nacional.
A tarde é passad debaixo de terra. Uma visita a uma das minas do Cerro Rico é uma experiência única, mas que nao quero repetir. 15 minutos lá dentro, enquanto começamos a descer ao segundo nivel achei que nao ia conseguir avançar mais. No meio do cinzento da falta de luz e do pó, enquanto o cminho se estreit para um túnel onde mal cabemos e pelo qual temos de rastejar o coraçao acelera e arespiraçao pede oxigénio que nao existe. Penso que se tenho de voltar para trás tenho de passar pelo mesmo e nao sei se aguento.
Páro 2 segundos, chupo mais forte nas folhas de coca que se acumulam na minha bochecha e, efeito psicológico ou nao, acalmo-me e sigo caminho.
Para lém da claustrofobia o que guardo mais na memória sao os mineiros com quem falámos, dos 15 aos 38 anos, a trabalhar em condiçoes sub-humanas que apenas diferem daquelas a que eram obrigados os escravos eos indios porque saem à noite para dormir em casa e recebem alguma coisa por esse trabalho.
morreram 80000 pessoas na época colonial e continuam a morrer hoje em dia, directa ou indirectamente dentro daquelas minas.
Saio estoirada física e psicologicamente. Tomo golfadas de ar e tento perceber porque se sujeitam àquilo e, principalmente, porque sujeitam os próprios filhos. Consigo perceber, mas nao aceitar.
Passamos a manha seguinte nas casa da moeda seguimos caminho.
Tupiza - Uyuni 14-17 Novembro
4 dias, 2 jeeps, 9 turistas, 2 condutores/guis, 1 cozinheira.
Dias de paisgens alucinantes, lagoas que parecem pintadas (de verde, de branco, de vermelho), desertos de areia e de sal, desfiladeiros e planaltos, montanhas que parecem pintadas tal é a perfeiço e quantidade de cores, e pó... muito pó!
Dormindas em casas básicas no meio do nada, como queríamos, debaixo de um céu imenso. Partiha de experiências em jantares às 7.30, que parecem 10.30 tal é o cansaço.
Aprendemos que estes passeios só começram à 15 anos porque antes tud aquilo se cobria de neve. Neve esta que, ao derreter forma as lagoas. Agora já nao existe neve, as lagoas estao a diminuir de tamanho e, muito provavelmente, em mais 10 ou 15 anos já nada disto vai existir. Faz-me sentir trite e sortuda, por ter a oportunidade de ainda o viver.
Chegamos o Uyuni estoirados, sujos e muito felizes!
Dias de paisgens alucinantes, lagoas que parecem pintadas (de verde, de branco, de vermelho), desertos de areia e de sal, desfiladeiros e planaltos, montanhas que parecem pintadas tal é a perfeiço e quantidade de cores, e pó... muito pó!
Dormindas em casas básicas no meio do nada, como queríamos, debaixo de um céu imenso. Partiha de experiências em jantares às 7.30, que parecem 10.30 tal é o cansaço.
Aprendemos que estes passeios só começram à 15 anos porque antes tud aquilo se cobria de neve. Neve esta que, ao derreter forma as lagoas. Agora já nao existe neve, as lagoas estao a diminuir de tamanho e, muito provavelmente, em mais 10 ou 15 anos já nada disto vai existir. Faz-me sentir trite e sortuda, por ter a oportunidade de ainda o viver.
Chegamos o Uyuni estoirados, sujos e muito felizes!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Tupiza - 13 de Novembro
Saímos de Córdoba directos à Bolivia. 24h e 2 autocarros mais tarde chegámos a Tupiza.
Terra da lenda do último assalto de Butch Cassidy e Sundance Kid foi uma boa introduçao ao país. Mudança radical de feiçoes, de cheiros, de arquitectura. Como paisagem, as Quebradas de Humauaca e Cafayate, na Argentina impressionam mais.
Ficámos apenas 1 noite, maravilhados com o que nos convém o Boliviano. almoço por 1,5 euros e jantar por 4. Hotel por 3,5e cada um.
No dia seguinte saímos para "O" tour.
Terra da lenda do último assalto de Butch Cassidy e Sundance Kid foi uma boa introduçao ao país. Mudança radical de feiçoes, de cheiros, de arquitectura. Como paisagem, as Quebradas de Humauaca e Cafayate, na Argentina impressionam mais.
Ficámos apenas 1 noite, maravilhados com o que nos convém o Boliviano. almoço por 1,5 euros e jantar por 4. Hotel por 3,5e cada um.
No dia seguinte saímos para "O" tour.
Em La Paz
Só passou uma semana e meia desde que voltámos a sair de Córdoba, mas parece muito mais. Presumo que seja o movimento constante, a aprendizagem cultural, as diferenças de ambiente e paisagem em intervalos de tempo tao curtos!
Chegámos hje a La Paz. É uma cide louca. Ainda nao tneho tempo suficiente aqui; meio di e 2 voltas intercladas com uma sesta, mas é uma relaçao amor/ódio. A mais de 3000m de altitude espalha-se a perder e vista montanha acima e a baixo, com edificios coloniais misturados com prédios modernos e casas de adobe na periferia. Vê-se homens de negócios em fato completo e cholitas com traje indigena, um trânsito caótico e um pico nevado ao longe.
Nao conseguimos perceber como nos sentimos aqui...O Hostel é um colosso ocidental numa casa colonial. No é o que temos procurdo mas neste momento sabe-me bem!
Enquanto parámos nos degraus de uma igreja discutíamos as discrepâncias sociais destes países e aflíge-me nao conseguir vislumbrar nenhuma soluçao...
Chegámos hje a La Paz. É uma cide louca. Ainda nao tneho tempo suficiente aqui; meio di e 2 voltas intercladas com uma sesta, mas é uma relaçao amor/ódio. A mais de 3000m de altitude espalha-se a perder e vista montanha acima e a baixo, com edificios coloniais misturados com prédios modernos e casas de adobe na periferia. Vê-se homens de negócios em fato completo e cholitas com traje indigena, um trânsito caótico e um pico nevado ao longe.
Nao conseguimos perceber como nos sentimos aqui...O Hostel é um colosso ocidental numa casa colonial. No é o que temos procurdo mas neste momento sabe-me bem!
Enquanto parámos nos degraus de uma igreja discutíamos as discrepâncias sociais destes países e aflíge-me nao conseguir vislumbrar nenhuma soluçao...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
De El Bolsón
Gosto de estar aqui...Gosto muito de estar aqui!
Gosto que seja tao verde e tao cheio de cor. Gosto que seja movimentado e pacífico ao mesmo tempo. Gosto deste Hostel (Refugio Patagónico), onde dá vontade de perder tempo, de relaxar. Gosto do contraste com as montanhas cinzentas a volta. Gosto de ter ido passear e ter parado numa quinta para comprar doce caseiro. Gosto de ir dormir num refugio depois de um treking de 5 horas amanha. Até gosto destes pássaros esquisitos com bicos gigantes, que fazem sons estranhos e que estao por todo lado, como pombos, mas muito mais interessantes. Gostava de ter mais tempo para perder aqui...
Chegámos cá vindos de Esquel, onde tivémos uma sorte desgraçada e conseguimos colar-nos a um grupo que estava no hostel e tinha alugado um carro para ir ao Parque Natural Los Alerces. Assim, ainda que exprimidos 4 no banco de trás de um opel corsa, tivemos acessos a zonas que nao teríamos tido de autocarro e a pé, e poupámos um dia numa cidade que nao tinha mais nada de interessante, porque o autocarro para lá já tinha saído nesse dia. Obrigado Ale e Ezequiel pela boa onda e disponibilidade e pelos conselhos para onde estamos agora.
A Esquel chegámos via a famosa Ruta 40 da Patagónia. Uma estrada só parcialmente (mal) alcatroada, que percorre os 2800km de EL Chaltén a Bariloche. Começámos a viagem de noite, mas quando acordei, as 6.30 da manha o autocarro tinha parado num "pueblo" (1 Hostel, 1 Café e 3 ou 4 casas) completamente em "terra de ninguém". Estepe Patagónica a perder de vista. Mantive-me acordada 1 hora depois disso, já em movimento e nao passámos por 1 único sinal de vida humana. Aliás, nas 25 horas de viagem passámos por 3 cidades, uma delas a descrita anteriormente.
Em El Chaltén iniciámos os treking a sério. Uma tarde de 2 levezinhos, 2 horas cada um e 20 km no dia seguinte, com muitas trepadelas e mudanças de cenário impressionantes. E ainda fomos brindados com uma vista total e descoberta do Fitz Roy. Quando achávamos que aquela nuvenzinha que ia rodando a volta do cume nunca o ia lagar, desapareceu!
Voltámos estoirados, directos a uma Quilmes fresquinha! A preparaçao perfeita para a viagem de autocarro que nos esperava!
E agora estamos aqui, prontos para mais uma caminhada e esperançosos que o nevoeiro que vemos no Cerro Piltriquitrón esteja melhor amanha, e que a cerveja artesanal do Lucas, do Refugio piltriquitrón seja tao boa como nos contaram...para acompanhar o por do sol sobre a vila e os lagos que vamos ver.
Gosto que seja tao verde e tao cheio de cor. Gosto que seja movimentado e pacífico ao mesmo tempo. Gosto deste Hostel (Refugio Patagónico), onde dá vontade de perder tempo, de relaxar. Gosto do contraste com as montanhas cinzentas a volta. Gosto de ter ido passear e ter parado numa quinta para comprar doce caseiro. Gosto de ir dormir num refugio depois de um treking de 5 horas amanha. Até gosto destes pássaros esquisitos com bicos gigantes, que fazem sons estranhos e que estao por todo lado, como pombos, mas muito mais interessantes. Gostava de ter mais tempo para perder aqui...
Chegámos cá vindos de Esquel, onde tivémos uma sorte desgraçada e conseguimos colar-nos a um grupo que estava no hostel e tinha alugado um carro para ir ao Parque Natural Los Alerces. Assim, ainda que exprimidos 4 no banco de trás de um opel corsa, tivemos acessos a zonas que nao teríamos tido de autocarro e a pé, e poupámos um dia numa cidade que nao tinha mais nada de interessante, porque o autocarro para lá já tinha saído nesse dia. Obrigado Ale e Ezequiel pela boa onda e disponibilidade e pelos conselhos para onde estamos agora.
A Esquel chegámos via a famosa Ruta 40 da Patagónia. Uma estrada só parcialmente (mal) alcatroada, que percorre os 2800km de EL Chaltén a Bariloche. Começámos a viagem de noite, mas quando acordei, as 6.30 da manha o autocarro tinha parado num "pueblo" (1 Hostel, 1 Café e 3 ou 4 casas) completamente em "terra de ninguém". Estepe Patagónica a perder de vista. Mantive-me acordada 1 hora depois disso, já em movimento e nao passámos por 1 único sinal de vida humana. Aliás, nas 25 horas de viagem passámos por 3 cidades, uma delas a descrita anteriormente.
Em El Chaltén iniciámos os treking a sério. Uma tarde de 2 levezinhos, 2 horas cada um e 20 km no dia seguinte, com muitas trepadelas e mudanças de cenário impressionantes. E ainda fomos brindados com uma vista total e descoberta do Fitz Roy. Quando achávamos que aquela nuvenzinha que ia rodando a volta do cume nunca o ia lagar, desapareceu!
Voltámos estoirados, directos a uma Quilmes fresquinha! A preparaçao perfeita para a viagem de autocarro que nos esperava!
E agora estamos aqui, prontos para mais uma caminhada e esperançosos que o nevoeiro que vemos no Cerro Piltriquitrón esteja melhor amanha, e que a cerveja artesanal do Lucas, do Refugio piltriquitrón seja tao boa como nos contaram...para acompanhar o por do sol sobre a vila e os lagos que vamos ver.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Notas de viagem
Estamos há 3 noites em El Calafate. Mudança drástica de cenário desde a Peninsula Valdés, onde estivemos antes...nada de novo no país que é a Argentina!
Hoje foi dia de Glaciar Parito Moreno e nao há palavras para descrever o que é aquela massa de Gelo, os tons de azul, o som dos desprendimentos no Lago Argentino, que é uma vista em si só também. Sao sentimentos que tenho de deixar amadurecer antes de poder descrever!
Entretanto, e porque isto de andar de mochileiro e acampar nao combina com as novas tecnologias, deixo-vos agora com algumas notas do meu caderninho. Para que tenham uma ideia do que foi a primeira semana de viagem:
18/10/10
"Venham, Venham! Perguntei-lhes e vao sair já! O tempo está perfeito e pode mudar. Depois montam tudo"
Olhares perdidos entre nós os 2.
"É mélhor. Olhem que o tempo pode mudar! Eu levo a tua mochila."
Acabamos por ir, ainda meio desconfiados. Pagamos os 180 pesos e entramos no barco.
"Nao sei se isto foi boa ideia. Se calhar deviamos ter procurado outros sitios"
2 horas, muitas fotos e outros tanto sorrisos de espanto mais tarde nem sequer me ocorre questioná-lo. Mar espelhado, ausência de nuvens e baleias francas a 1 metro do barco é tudo o que me lembro. E aquele som, como se fosse água a ser espelida de um tubo de orgao. Somesse que também se ouve da praia, ao pôr do sol, enquanto tentamos captar o fogo que parece ter tomado as nuvens!
19/10/10
O Nuno está a fazer o fogo para assar a carne e os pimentos. Eu, lentamente, começo a habituar-me à vida de campista. Até à próxima vez que esteja cheia de frio, ou que nao consiga dormir, ou que tenha de por a mochila às costas! Mas por enquanto estamos aqui, só a aproveitar a praia.
Ainda nao tinhamos conseguido arranjar maneira de dar a volta à Peninsula sem se em excursao, mas em conversa com o casal que está ao nosso lado, e em nome da solidariedade do viajante acabámos de o fazer.
"Eu também andei pela Escandinávia e encontrei muita gente que me levava onde eu precisava, por isso acho que tenho uma dívida para com os outros viajantes!" diz Evelyn, Suíça Alema.
Assim, amanha saimos na casa móvel dela, o marido e a pequena Salomé a ver os leoes marinhos, os pinguins e, com alguma sorte, alguma Orca perdida...sem gastar os 360 pesos que nos sairia a excursao!
20/10/10
Nao tenho palavras para descrever o que senti ao ver Pinguins de Magalhaes a meio metro de mim, ao ouvir o som dos Lobos marinhos e ver como se arrastem pela barriga, gordos, gigantes, desengonçados, enquanto outros apanham sol, dando só sinal de vida ao mexer uma barbatana e atirar areia para o dorso.
Tudo isto numa paisagem que muda constantemente. Uma costa que só se deixa vislubrar de quando em quando, numa curva da estrada, numa descida súbita depois de uma recta interminável e que muda de falésia profunda, a praia, a peninsulas dentro da peninsula que formam golfos de água azul esverdeada onde, sorte nossa, 3 orcas entraram e têm de esperar que encha a maré de novo para sair.
Para celebrar, e porque poupámos na excursao, concedemo-nos O luxo desta primeira parte da viagem. Jantámos fora...e que saudades de umas conchinhas, e de estar sentada numa mesa num sitio quentinho, com um vinho a discorrer de tudo o que já vimos e do que está para vir...
21/10/10
Supostamente hoje seria um dia de praia, mas o vento frio nao nos deixa. Relaxámos de manha junto à tenda a por a escrita e a leitura em dia e o Nuno anda de novo de volta do fogo para fazermos o almoço.
(...)
A tarde compôs-se e acabou por ser de praia. Que bom adormecer a ouvir o mar...e as baleias!
22/10/10
Cortando caminho por cima das falésias, subindo directamente da praia, conseguimos chegar a Punta Piramides em menos de uma hora.
A loberia tinha um aglomerado de 20/30 lobos marinhos, com algumas crias e pelo menos 3 machos em que conseguimos perceber a juba característica. Os sons ouviam-se perfeitamente apesar do vento forte e também conseguimos ver, num grupo de 3 que estavam mais perto um bocejar claríssimo e um coçar da barriga hilariante...conseguia estar horas a olhar para eles!
Como o vento estava impossível subimos até à cabine do guarda fauna para comer. Apesar do ar de "velho do Restelo", depois de quebrado o gelo inicial com alguma perguntas ainda aprendemos que as Orcas às vezes caçao Baleias Francas em alto mar e a que nos cedesse o seu telescópio, que deu um jeitao quando as baleias começaram a aparecer.
Distraídos que estávamos com o pao com salsicha quase nao demos porque tinham começado aos saltos! Agora sim, a experiência estava completa!
À volta conseguimos boleia à primeira esticadela de dedo. Amanha vamos tentar voltar assim a Puerto Madryn.
23/10/10
As (minhas) fases da boleia:
1 . Até aos 30 minutos de espera
Confiança: A qualquer momento passa/pára um (se realmente acontece o grau de confiança da próxima vez está nos píncaros)
2 . Até à 1h30 de espera
Esperança: Vai parar, vai parar, vai parar... (suspiro de alivio se acontece)
3 . Até às 2h30 de espera
Aborrecimento: Estou farta de aqui estar, nunca mais param! (cara de êxtase se param)
4 . Até às 3.30h de espera
Fúria: $%%&·/(?) Porque é que nao param!! (se param...só quero que o carro arranque!)
5 . Até às 4h de espera
Desespero: Nao sei o que é que estou aqui a fazer, mas também nao posso desistir agora! (cara de "o mundo esteve para acabar, mas chegou o salvador" se param!)
6 . Ás 5h de espera
Resignaçao: Apanhamos o autocarro e pronto...
(De notar que sabiamos que o autocarro saía aqulea hora, e que nao havia outro antes...caso contrário nao acho que me tivesse agunetado tanto tempo!)
Se quiserem por imagens com estas palavras, vao passando por aqui.
Hoje foi dia de Glaciar Parito Moreno e nao há palavras para descrever o que é aquela massa de Gelo, os tons de azul, o som dos desprendimentos no Lago Argentino, que é uma vista em si só também. Sao sentimentos que tenho de deixar amadurecer antes de poder descrever!
Entretanto, e porque isto de andar de mochileiro e acampar nao combina com as novas tecnologias, deixo-vos agora com algumas notas do meu caderninho. Para que tenham uma ideia do que foi a primeira semana de viagem:
18/10/10
"Venham, Venham! Perguntei-lhes e vao sair já! O tempo está perfeito e pode mudar. Depois montam tudo"
Olhares perdidos entre nós os 2.
"É mélhor. Olhem que o tempo pode mudar! Eu levo a tua mochila."
Acabamos por ir, ainda meio desconfiados. Pagamos os 180 pesos e entramos no barco.
"Nao sei se isto foi boa ideia. Se calhar deviamos ter procurado outros sitios"
2 horas, muitas fotos e outros tanto sorrisos de espanto mais tarde nem sequer me ocorre questioná-lo. Mar espelhado, ausência de nuvens e baleias francas a 1 metro do barco é tudo o que me lembro. E aquele som, como se fosse água a ser espelida de um tubo de orgao. Somesse que também se ouve da praia, ao pôr do sol, enquanto tentamos captar o fogo que parece ter tomado as nuvens!
19/10/10
O Nuno está a fazer o fogo para assar a carne e os pimentos. Eu, lentamente, começo a habituar-me à vida de campista. Até à próxima vez que esteja cheia de frio, ou que nao consiga dormir, ou que tenha de por a mochila às costas! Mas por enquanto estamos aqui, só a aproveitar a praia.
Ainda nao tinhamos conseguido arranjar maneira de dar a volta à Peninsula sem se em excursao, mas em conversa com o casal que está ao nosso lado, e em nome da solidariedade do viajante acabámos de o fazer.
"Eu também andei pela Escandinávia e encontrei muita gente que me levava onde eu precisava, por isso acho que tenho uma dívida para com os outros viajantes!" diz Evelyn, Suíça Alema.
Assim, amanha saimos na casa móvel dela, o marido e a pequena Salomé a ver os leoes marinhos, os pinguins e, com alguma sorte, alguma Orca perdida...sem gastar os 360 pesos que nos sairia a excursao!
20/10/10
Nao tenho palavras para descrever o que senti ao ver Pinguins de Magalhaes a meio metro de mim, ao ouvir o som dos Lobos marinhos e ver como se arrastem pela barriga, gordos, gigantes, desengonçados, enquanto outros apanham sol, dando só sinal de vida ao mexer uma barbatana e atirar areia para o dorso.
Tudo isto numa paisagem que muda constantemente. Uma costa que só se deixa vislubrar de quando em quando, numa curva da estrada, numa descida súbita depois de uma recta interminável e que muda de falésia profunda, a praia, a peninsulas dentro da peninsula que formam golfos de água azul esverdeada onde, sorte nossa, 3 orcas entraram e têm de esperar que encha a maré de novo para sair.
Para celebrar, e porque poupámos na excursao, concedemo-nos O luxo desta primeira parte da viagem. Jantámos fora...e que saudades de umas conchinhas, e de estar sentada numa mesa num sitio quentinho, com um vinho a discorrer de tudo o que já vimos e do que está para vir...
21/10/10
Supostamente hoje seria um dia de praia, mas o vento frio nao nos deixa. Relaxámos de manha junto à tenda a por a escrita e a leitura em dia e o Nuno anda de novo de volta do fogo para fazermos o almoço.
(...)
A tarde compôs-se e acabou por ser de praia. Que bom adormecer a ouvir o mar...e as baleias!
22/10/10
Cortando caminho por cima das falésias, subindo directamente da praia, conseguimos chegar a Punta Piramides em menos de uma hora.
A loberia tinha um aglomerado de 20/30 lobos marinhos, com algumas crias e pelo menos 3 machos em que conseguimos perceber a juba característica. Os sons ouviam-se perfeitamente apesar do vento forte e também conseguimos ver, num grupo de 3 que estavam mais perto um bocejar claríssimo e um coçar da barriga hilariante...conseguia estar horas a olhar para eles!
Como o vento estava impossível subimos até à cabine do guarda fauna para comer. Apesar do ar de "velho do Restelo", depois de quebrado o gelo inicial com alguma perguntas ainda aprendemos que as Orcas às vezes caçao Baleias Francas em alto mar e a que nos cedesse o seu telescópio, que deu um jeitao quando as baleias começaram a aparecer.
Distraídos que estávamos com o pao com salsicha quase nao demos porque tinham começado aos saltos! Agora sim, a experiência estava completa!
À volta conseguimos boleia à primeira esticadela de dedo. Amanha vamos tentar voltar assim a Puerto Madryn.
23/10/10
As (minhas) fases da boleia:
1 . Até aos 30 minutos de espera
Confiança: A qualquer momento passa/pára um (se realmente acontece o grau de confiança da próxima vez está nos píncaros)
2 . Até à 1h30 de espera
Esperança: Vai parar, vai parar, vai parar... (suspiro de alivio se acontece)
3 . Até às 2h30 de espera
Aborrecimento: Estou farta de aqui estar, nunca mais param! (cara de êxtase se param)
4 . Até às 3.30h de espera
Fúria: $%%&·/(?) Porque é que nao param!! (se param...só quero que o carro arranque!)
5 . Até às 4h de espera
Desespero: Nao sei o que é que estou aqui a fazer, mas também nao posso desistir agora! (cara de "o mundo esteve para acabar, mas chegou o salvador" se param!)
6 . Ás 5h de espera
Resignaçao: Apanhamos o autocarro e pronto...
(De notar que sabiamos que o autocarro saía aqulea hora, e que nao havia outro antes...caso contrário nao acho que me tivesse agunetado tanto tempo!)
Se quiserem por imagens com estas palavras, vao passando por aqui.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Ontem
Eram 4.30. O trabalho estava terminado e tinham-me levado até à praça S. Martin. Estava calor e não me apetecia ir para casa. Passei em frente ao Cabildo Histórico e a recordação dos claustros brancos e frescos levou-me a entrar. Deparei-me com isto.
Segui então estas pegadas e surpreendi-me com a presença de comunidades imigrantes de países tão distintos. Eu sabia que a Argentina foi um país de acolhimento para muitos Europeus durante a 2ª guerra mundial, mas Coreia? Japão?
Tive pena de não poder ficar para o documentário "Los Cubanos" seguido de degustação de mojitos e charutos, mas quero voltar para as actividades organizadas para as outras comunidades.
Deixei-me ficar mais um pouco, as fotos da mostra Ciudades (in)visibles prendem-me o olhar, mas pedem-me mais atenção. Tomo nota da instituição responsávele prometo voltar com mais tempo.
Segui então estas pegadas e surpreendi-me com a presença de comunidades imigrantes de países tão distintos. Eu sabia que a Argentina foi um país de acolhimento para muitos Europeus durante a 2ª guerra mundial, mas Coreia? Japão?
Tive pena de não poder ficar para o documentário "Los Cubanos" seguido de degustação de mojitos e charutos, mas quero voltar para as actividades organizadas para as outras comunidades.
Deixei-me ficar mais um pouco, as fotos da mostra Ciudades (in)visibles prendem-me o olhar, mas pedem-me mais atenção. Tomo nota da instituição responsávele prometo voltar com mais tempo.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
De volta a Cordoba
Talvez tenha sido porque já sei que me vou embora.
Talvez como uma forma inconsciente de me proteger, ou talvez porque me deixei acomodar sem dar por isso. O certo é que já há algumas semanas que não me procurava em Cordoba, que não a aproveitava, que não a deixava mostrar-se. E se não pensava muito nisso conscientemente, vejo agora que alguma coisa me pesava. Um desconforto quase imperceptível, como um zumbido nos ouvidos que só nos apercebemos que está lá quando desaparece.
E agora que desapareceu dei por ele.
Talvez tenha sido a risada há volta da Bagna Cauda no sábado há noite.
Talvez tenha sido a tarde de Domingo que passou sem dar por isso, estendida na relva, entre mates, fotos e conversas tão inúteis como fascinantes.
Talvez tenha sido a percepção da falta que vou sentir do gelado ao domicilio.

A verdade é que voltei à minha Cordoba este fim de semana, e ainda que saiba que o meu tempo aqui acabou, que já retirei dela o que precisava, que está na altura de seguir em frente, foi muito bom reencontrá-la!
Talvez como uma forma inconsciente de me proteger, ou talvez porque me deixei acomodar sem dar por isso. O certo é que já há algumas semanas que não me procurava em Cordoba, que não a aproveitava, que não a deixava mostrar-se. E se não pensava muito nisso conscientemente, vejo agora que alguma coisa me pesava. Um desconforto quase imperceptível, como um zumbido nos ouvidos que só nos apercebemos que está lá quando desaparece.
E agora que desapareceu dei por ele.
Talvez tenha sido a risada há volta da Bagna Cauda no sábado há noite.
Talvez tenha sido a tarde de Domingo que passou sem dar por isso, estendida na relva, entre mates, fotos e conversas tão inúteis como fascinantes.
Talvez tenha sido a percepção da falta que vou sentir do gelado ao domicilio.
A verdade é que voltei à minha Cordoba este fim de semana, e ainda que saiba que o meu tempo aqui acabou, que já retirei dela o que precisava, que está na altura de seguir em frente, foi muito bom reencontrá-la!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
O que segue
Depois da decisão tomada sinto-me quase estúpida por ter hesitado tanto. Claro que pensar à posteriori é sempre mais fácil que escolher, e que a decisão tomada tem já a reflexão feita e por isso parece mais simples que na realidade foi. Infelizmente raramente temos a hipótese ideal, aquela que nos permite não ter de abdicar de nada. Assim, é uma questão de decidir o que queremos deixar passar.
4 dias, algumas lágrimas e noites mal dormidas mais tarde parece que me tiraram um peso de cima. Se uma decisão me fazia chorar e a outra me deixa aliviada, qualquer remanescente de dúvida que pudesse ter desaparece.
As pessoas que temos na nossa vida e a maneira como nos relacionamos com elas também definem aquilo que somos e eu, neste momento, preciso da minha outra metade não para ser uma, mas para ser os dois que fazem sentido. Para além disso, apesar de todas as incertezas quanto ao caminho a seguir quando lá, tenho saudades de Portugal e dos meus.
Foi preciso vir até aqui para sentir a falta que fazem, apesar de todas as suas faltas (e fazia-o as vezes que fosse preciso) mas está (quase) na hora de voltar. Quero viajar muito e muitas vezes, mas preciso das minha raízes no seu lugar.
Assim, disse que não a 6 meses nas Fiji ( e com a confusão a qualquer hipótese de um projecto futuro com esta empresa) e começo a planear a minha aventura de 3 meses pela América Latina! E não consigo deixar de sorrir!
4 dias, algumas lágrimas e noites mal dormidas mais tarde parece que me tiraram um peso de cima. Se uma decisão me fazia chorar e a outra me deixa aliviada, qualquer remanescente de dúvida que pudesse ter desaparece.
As pessoas que temos na nossa vida e a maneira como nos relacionamos com elas também definem aquilo que somos e eu, neste momento, preciso da minha outra metade não para ser uma, mas para ser os dois que fazem sentido. Para além disso, apesar de todas as incertezas quanto ao caminho a seguir quando lá, tenho saudades de Portugal e dos meus.
Foi preciso vir até aqui para sentir a falta que fazem, apesar de todas as suas faltas (e fazia-o as vezes que fosse preciso) mas está (quase) na hora de voltar. Quero viajar muito e muitas vezes, mas preciso das minha raízes no seu lugar.
Assim, disse que não a 6 meses nas Fiji ( e com a confusão a qualquer hipótese de um projecto futuro com esta empresa) e começo a planear a minha aventura de 3 meses pela América Latina! E não consigo deixar de sorrir!
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Porquês
No meio das várias questoes que me ponho a mim mesma nos últimos tempo poucas têm a ver com o Agora. Penso no que fazer depois, no onde será o depois, no que será o depois, mas poucas vezes penso no que estou a fazer agora.
Muitas vezes porque me limito a experienciá-lo, outras porque me irrito com projectos que nao fazem muito sentido na minha cabeça e algumas vezes também por medo que, se pensar muito nisso, possa chegar à conclusao que isto nao faz sentido...
Mas no outro dia, depois de apresentar uma voluntária no orfanato onde ia trabalhar e de ver a reacçao das miudas à sua chegada e falar com a directora acerca de experiências passadas deixei-me reflectir sobre a verdadeira utilidade de um voluntário extrangeiro num orfanato, ou numa escola.
Ao contrário do que a maioria das pessoas aparenta pensar, nao é o par extra de maos ou a possível ajuda monetária que estes possam trazer. Para isso, e como defendem os opositores ao chamado "volunturismo" seria sempre mais práctico e barato contar com pessoas do próprio país. O que este tipo de experiência traz a estas crianças é a possibilidade de entrarem em contacto com uma realidade e culturas que, caso contrário, nunca teriam a possibilidade de conhecer.
É completamente diferente para um miudo de 14 anos, que, por toda a história de vida que já carrega, se está positivamente marimbando para o que lhe ensinam na escola, saber que a Alemanha é aquele pontinho no mapa que lhe mostram, ou saber que é o país onde nasceu o Hans que vinha jogar com ele à bola e que lhe contava histórias dos amigos e da familia.
Fazê-los relacionar o mundo lá fora com pessoas reais aguça-lhes a curiosidade, fa-los querer saber mais. Para além disso dá-lhes a conhecer uma vontade de aprender que normalmente nao têm.
A estrutura familar onde cresceram nunca lhes transmitiu a importância de estudar seja para conseguir um bom trabalho, boas oportunidades de vida,seja pela vontade do saber. E, porque se sentem diferentes tendem a dar-se com crianças com as mesmas ideias. Ao entrar em contacto com alguém que lhes desperta a curiosidade pela diferença poderao apreender de uma maneira nao impositiva, e por isso mais eficiente, o gosto pelo conhecimento.
Se idolatram a Tina porque é alta e loura e parece uma actriz de cinema, mas está ali com elas a jogar à macaca ou a pintar-lhes as unhas e ela lhes diz que está a acabar o liceu e que quer ir para a Universidade muitas vao querer imitá-la.E quando ela lhes conta que vem da Holanda e lhes mostra fotos mais dificilmente se vao esquecer de onde fica.
Para além disto, também na vida do voluntário existe um impacto com este intercâmbio de experiências. A grande maioria sao jovens de 18 anos, e o choque cultural, quando bem encaixado, permite-lhes apender a lidar com a diferença, torma-os mais humildes e conscientes da sorte que têm.
Por isso continuo a defender este tipo de projectos e empresas. É verdade que pensar que se pode fazer dinheiro disto retira parte do encanto, mas isso nao invalida o mérito e o efeito positivo que eles têm para quem os faz e quem os recebe.
Muitas vezes porque me limito a experienciá-lo, outras porque me irrito com projectos que nao fazem muito sentido na minha cabeça e algumas vezes também por medo que, se pensar muito nisso, possa chegar à conclusao que isto nao faz sentido...
Mas no outro dia, depois de apresentar uma voluntária no orfanato onde ia trabalhar e de ver a reacçao das miudas à sua chegada e falar com a directora acerca de experiências passadas deixei-me reflectir sobre a verdadeira utilidade de um voluntário extrangeiro num orfanato, ou numa escola.
Ao contrário do que a maioria das pessoas aparenta pensar, nao é o par extra de maos ou a possível ajuda monetária que estes possam trazer. Para isso, e como defendem os opositores ao chamado "volunturismo" seria sempre mais práctico e barato contar com pessoas do próprio país. O que este tipo de experiência traz a estas crianças é a possibilidade de entrarem em contacto com uma realidade e culturas que, caso contrário, nunca teriam a possibilidade de conhecer.
É completamente diferente para um miudo de 14 anos, que, por toda a história de vida que já carrega, se está positivamente marimbando para o que lhe ensinam na escola, saber que a Alemanha é aquele pontinho no mapa que lhe mostram, ou saber que é o país onde nasceu o Hans que vinha jogar com ele à bola e que lhe contava histórias dos amigos e da familia.
Fazê-los relacionar o mundo lá fora com pessoas reais aguça-lhes a curiosidade, fa-los querer saber mais. Para além disso dá-lhes a conhecer uma vontade de aprender que normalmente nao têm.
A estrutura familar onde cresceram nunca lhes transmitiu a importância de estudar seja para conseguir um bom trabalho, boas oportunidades de vida,seja pela vontade do saber. E, porque se sentem diferentes tendem a dar-se com crianças com as mesmas ideias. Ao entrar em contacto com alguém que lhes desperta a curiosidade pela diferença poderao apreender de uma maneira nao impositiva, e por isso mais eficiente, o gosto pelo conhecimento.
Se idolatram a Tina porque é alta e loura e parece uma actriz de cinema, mas está ali com elas a jogar à macaca ou a pintar-lhes as unhas e ela lhes diz que está a acabar o liceu e que quer ir para a Universidade muitas vao querer imitá-la.E quando ela lhes conta que vem da Holanda e lhes mostra fotos mais dificilmente se vao esquecer de onde fica.
Para além disto, também na vida do voluntário existe um impacto com este intercâmbio de experiências. A grande maioria sao jovens de 18 anos, e o choque cultural, quando bem encaixado, permite-lhes apender a lidar com a diferença, torma-os mais humildes e conscientes da sorte que têm.
Por isso continuo a defender este tipo de projectos e empresas. É verdade que pensar que se pode fazer dinheiro disto retira parte do encanto, mas isso nao invalida o mérito e o efeito positivo que eles têm para quem os faz e quem os recebe.
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